
A casa foi vendida em Julho, altura em que deixei a Alice sob os cuidados da Vanda e do Edgar, o par de Nhó-nhós ficou assim incumbido de tomar conta dela, achava eu que por 1 ou 2 semanas, mas as coisas complicaram-se e só agora, quase 8 meses depois é que consegui rever a minha fiel amiga. Foi o delírio! Ambos chorámos com o reencontro, ela até ronronou! E mesmo depois de todo este tempo parada, carregada a bateria, pegou à primeira! Seguiu para a revisão, que já devia ter sido feita em Dezembro. O tratamento na oficina foi impecável, ainda tive direito a lavagem e a uma proposta indecente, tentaram comprar-me a Alice, dizem que meninas como ela têm muita saída! Eu sei! Se não fosse uma gaja boa não estava 'comigue' (como se diz na minha terra)! A foto acima é do trivial, delicioso momento de ócio nessa grande instituição, que tem a sede má linda do mundo, o MCF (Motoclube de Faro).

Água límpida em dia de vento, obras e um delicioso aroma a maresia. Prometo voltar!
E os dias foram passando e estas minhas férias foram chegando ao fim, não sem ter feito umas incursões pela cozinha com um excelente caril de frango, e uns pregos no dia seguinte que desapareceram num instante. Ainda não perdi o jeito, aparentemente...


Chegado a Montemor-o-novo, desta vez achei que devia, apesar de não conhecer ainda este troço, seguir pela EN2, era imperativo! Enchi o depósito, não havia aditivada (tristeza!), a Alice fartou-se de resmungar, mas infelizmente pouco se pôde fazer.

Em Mora parei para lanchar e telefonar à Maria, foi difícil achar uma pastelaria, mas lá consegui, e marchou uma bela bola-de-berlim, cuja massa tinha toques de canela e o molho era algo agridoce, empurrada por um maravilhosamente tirado galão. Pequenos luxos.
Passei no "peixanário", como diria o falecido António Feio, também conhecido por fluviário. Tenho que cá voltar para entrar, desta vez não deu, íamos com alguma fome de quilómetros, e este troço da EN2 faz-se de punho virado, no limite que o anjo-da-guarda permite. E... Descobri o "Cabeção", devo dizer que também passei na "Picha" e em "Cansados", vá-se lá saber em que pensava esta gente quando deu o nome à santa terrinha... :)
Foram 460 km de EN2, porque próximo de Góis o cair da noite e a falta de marcação da via complicaram (e muito) a condução, juntamente com o frio, decidi rumar à Lousã -> Coimbra e continuar em estradas mais movimentadas. Percebe-se à noite, e pela falta de iluminação a desertificação a que o interior está votado. Tristemente. Ainda deu para apanhar uns sustos, um com estrada esburacada e gravilha, um par de cães abandonados que ao desviar-me de um, por pouco não acertei no outro, em Abrantes decidiram fechar a ponte, pautando-se numas horas à espera nas filas, e num momento de pouca lucidez enquanto me esticava para ver a fila ia deixando cair a Alice... Por último, na serra, sem vivalma por perto ouvi um estoiro no pneu de trás, felizmente foi uma pedra e não um furo, tinha sido mau, nem um candeeiro para amostra, nem uma casa, nem movimento, ficávamos sozinhos no meio de nada.

Até já!